divendres, 14 de novembre de 2008

A autoestrada


"Quando chegas ao fim do caminho nom podes fazer nada mais, só volver"

Já que tanto insistes
em que o corte
vou explicar-che
e será a primeira e a última vez que o faga
por qué levo o pelo longo.

Levo o pelo longo
porque o exército estadounidense
oferecia umha recompensa
de dous dólares
por cada cabeleira de índio
que se lhe entregasse
e os que a cobrarom
assi como os soldados
e mandos superiores
do exército estadounidense
levavam o pelo curto
ou mui curto.

Levo o pelo longo
porque o exército franquista
na corrada da casa na que nacim,
rapou-lhe a cabeça
a umha das mulheres da minha família
cujo home
acabava de ser fusilado
por se negar a matar
nenos de peito republicanos
e os soldados que lhe raparom a cabeça
assi como o resto das tropas
e mandos superiores
do exército franquista,
incluído o puto Francisco Franco,
levavam o pelo curto
ou mui curto.

levo o pelo longo porque no campo de concentraçom de mauthausen
aos deportados espanhois
como ramiro santisteban
o supervivente octogenário que mo contou
aos deportados espanhois umha vez á semana
os sábados
faziam-lhes o que entre eles se conhecia
como A autoestrada
isto é
rapavam-lhes o pelo ao cero
desde a frente cara atrás

A autoestrada

E mais adiante
quando Hitler estava perdendo a guerra,
com esse pelo
forravam-se as botas dos soldados alemáns.
Com esse pelo
e todos esses soldados alemáns
como tamém os que os sábados colaboravam
no mantemento da autoestrada
junto com os seus respectivos mandos superiores
e o filho de puta do fuhrer á cabeça
junto com o resto do povo alemao,
levavam o pelo curto
ou mui curto.

Levo o pelo longo
porque na terceira galeria
do cárcere provincial de Ovieu,
a galeria dos menores
os que mandavam nela os kies
umha vez dixerom-me:

Ou cortas tu o pelo
ou contamos-cho nós.

E prenderom os seus chisqueiros.

E tanto eles
como os funcionários de prisons,
cujo trabalho consistia precisamente
em evitar que se producissem feitos como este,
levavam o pelo curto
ou mui curto.

Levo o pelo longo por outra raçom tamém:
muitas das mulheres que conheço
aseguram-me que com el assi de longo
estou muito mais guapo
e aparento muitos menos anos
dos que tenho em realidade.

Assi que em vez de estar tocando-me o caralho
a todas horas
com que a ver quando vou a que me cortem o pelo,
melhor calavas a puta boca, vale?
e deixavas medrar o teu.

David Gonzàlez

1 comentari:

Mayka ha dit...

Vaya, yo este poema lo conocía en castellano! Quién lo ha traducido? Y por qué lo pones en portugués? (Perdón si es una pregunta demasiado indiscreta).

Saludos!